FEIRA DE VITÓRIA 2012 – INFORMAÇÕES SETORIAIS DE INTERESSE PARA O
SEMINÁRIO DA APEX/ABIROCHAS
Texto elaborado pela ABIROCHAS – geól. Cid Chiodi Filho
24/01/2012
|
CENÁRIO MUNDIAL DO SETOR DE ROCHAS ORNAMENTAIS |
A produção
mundial noticiada de rochas ornamentais e de revestimento evoluiu de 1,8 milhão
t/ano, na década de 1920, para um patamar atual de 111 milhões t/ano. Cerca de
48 milhões t de rochas brutas e beneficiadas foram comercializadas no mercado
internacional em 2010, destacando-se que o notável crescimento do intercâmbio
mundial caracterizou as décadas de 1980 e 1990 como a “nova idade da pedra” e,
o próprio setor de rochas, como uma das mais importantes áreas emergentes de
negócios mínero-industriais. Em âmbito mundial, estima-se que o setor de rochas
esteja atualmente movimentando transações comerciais de US$ 100 a 120
bilhões/ano.
A década de
2000, pelo menos até 2007, foi marcada pela multiplicação de feiras setoriais
internacionais, pela modernização das tecnologias de lavra, beneficiamento e
acabamento, pela diversificação dos produtos comerciais e da carteira de rochas
comercializadas, pela bolha de consumo no mercado dos EUA e pela notável
expansão chinesa no mercado internacional.
Com o estouro
da bolha imobiliária norte-americana e instalação da crise econômica mundial, a
partir de meados de 2008, promoveu-se um novo cenário, delineado pelo forte
enxugamento do crédito, acirramento da concorrência entre os exportadores e
aumento da pressão de oferta dos grandes produtores. Este cenário negativo
mostrou sinais de recuperação ao longo de 2010 e 2011, pelo incremento lento,
mas consistente, das transações internacionais e aquecimento da construção
civil fora dos EUA e da zona do euro.
Uma
condicionante setorial relevante está sendo orientada pelo cada vez mais
intenso controle ambiental das atividades produtivas, determinando a
necessidade de conservação de energia e otimização das formas de uso das
matérias-primas. Cresce, assim, a oferta e demanda de tecnologias limpas para
atividades extrativas e industriais; a elaboração de chapas mais delgadas para
revestimentos em geral; e a oferta de materiais artificiais aglomerados, neste
caso importantes para o aproveitamento de rejeitos – que devem ser percebidos
como estoques remanescentes – e melhoria dos índices de recuperação na lavra e
beneficiamento.
As projeções
de consumo/produção e intercâmbio mundial, das matérias-primas da construção
civil, não apontam mudanças de paradigmas, sugerindo a manutenção da tendência
de crescimento da demanda dos materiais rochosos naturais para revestimento.
Montani (2007) estima que, no ano de

Produção Mundial
Segundo
Montani (2011), a produção mundial estimada de rochas ornamentais, no ano de
2010, totalizou 111,5 milhões t, correspondentes a cerca de 41,3 milhões m3
ou 1,22 bilhões m2 equivalentes de chapas com
Como resultado
do desenvolvimento de tecnologias mais adequadas para lavra e beneficiamento de
materiais duros, a participação das rochas silicáticas no total da produção
evoluiu de 10%, na década de 1920, para o patamar atual de quase 40%. Um dos
principais responsáveis por esse crescimento foi sem dúvida o Brasil, que a
partir da década de 1980 colocou centenas de novos granitos no mercado
internacional.
A China foi a
maior produtora mundial em 2010, com 33,0 milhões t. O segundo maior produtor
mundial foi a Índia, com 13,3 milhões t. Seguem, com uma produção entre 7,0-9,0
milhões t, o Brasil, a Turquia e a Itália.
Ao longo da
década de 2000 cresceu significativamente a produção de países extraeuropeus,
caso da China, Índia, Irã, Turquia e Brasil, enquanto permaneceu inalterada, ou
até com leve declínio, a produção dos players
europeus tradicionais, como a Itália, Espanha, Portugal e Grécia.
|
TABELA 1 PRODUÇÃO MUNDIAL
DAS ROCHAS ORNAMENTAIS PERFIL HISTÓRICO |
|||||||
|
Ano |
Mármores |
Granitos |
Ardósias |
Total |
|||
|
1.000 t |
% |
1.000 t |
% |
1.000 t |
% |
1.000 t |
|
|
1926 |
1.175 |
65,6 |
175 |
9,8 |
440 |
24,6 |
1.790 |
|
1976 |
13.600 |
76,4 |
3.400 |
19,1 |
800 |
4,5 |
17.800 |
|
1986 |
13.130 |
60,5 |
7.385 |
34,0 |
1.195 |
5,5 |
21.710 |
|
1996 |
26.450 |
56,9 |
17.625 |
37,9 |
2.425 |
5,2 |
46.500 |
|
1998 |
29.400 |
57,6 |
19.000 |
37,3 |
2.600 |
5,1 |
51.000 |
|
2000 |
34.500 |
57,8 |
21.700 |
36,3 |
3.450 |
5,9 |
59.650 |
|
2002 |
39.000 |
57,8 |
25.000 |
37,0 |
3.500 |
5,2 |
67.500 |
|
2004 |
43.750 |
53,9 |
33.000 |
40,6 |
4.500 |
5,5 |
81.250 |
|
2006 |
53.350 |
57,5 |
34.800 |
37,5 |
4.600 |
5,0 |
92.750 |
|
2008 |
61.000 |
58,0 |
38.300 |
36,5 |
5.700 |
5,5 |
105.000 |
|
2010 |
65.230 |
58,5 |
40.500 |
36,3 |
5.750 |
5,2 |
111.500 |
|
FONTE: compilado a partir dos dados de Montani (2011). |
|||||||
Mercado Internacional
A evolução recente do mercado internacional é mostrada na Tabela 2, onde
se observa o aumento da participação das rochas brutas (posições NCM[1] 2515 e 2516) no total
do volume físico comercializado em 2010. A maior parte dessa expansão é devida
à China, principal importadora mundial de rochas brutas. A redução do volume
físico do comércio internacional, em 2008, foi a primeira registrada desde o
início formal da tabulação de dados mundiais, na década de 1970. O volume
físico transacionado internacionalmente em 2010 (48.498 mil t) já superou o
pico de 2007 (46.232 mil t), atingido antes da crise do subprime no mercado
imobiliário dos EUA.
TABELA 2 EVOLUÇÃO DO MERCADO INTERNACIONAL DE ROCHAS
ORNAMENTAIS E DE REVESTIMENTO 2006-2010 |
|||||||||||
|
Produtos
/ Código
NCM |
2006 |
2007 |
2008 |
2009 |
2010 |
||||||
|
1.000 t |
% |
1.000 t |
% |
1.000 t |
% |
1.000 t |
% |
1.000 t |
% |
||
|
RSB |
2516 |
10.562 |
25,5 |
11.429 |
24,7 |
10.816 |
23,9 |
8.909 |
21,7 |
10.531 |
21,7 |
|
RCB |
2515 |
7.495 |
18,1 |
8.271 |
17,9 |
9.384 |
20,8 |
9.466 |
23,0 |
13.334 |
27,5 |
|
RPE |
6802 |
18.138 |
43,8 |
21.150 |
45,8 |
19.791 |
43,8 |
18.199 |
44,3 |
20.026 |
41,3 |
|
RPS |
6801 |
3.804 |
9,2 |
3.814 |
8,2 |
3.702 |
8,2 |
3.262 |
8,0 |
3.301 |
6,8 |
|
PA |
6803 |
1.369 |
3,3 |
1.568 |
3,4 |
1.500 |
3,3 |
1.242 |
3,0 |
1.306 |
2,7 |
|
Total |
41.368 |
100 |
46.232 |
100 |
45.193 |
100 |
41.078 |
100 |
48.498 |
100 |
|
|
RSB – rochas silicáticas brutas; RCB – rochas carbonáticas brutas; RPE
– rochas processadas especiais; RPS – rochas processadas simples; PA –
produtos de ardósia. FONTE: compilado a partir de Montani (2007 a 2011). |
|||||||||||
Principais
Exportadores
A China foi responsável
por 25,8% do total do volume físico das exportações mundiais de rochas
ornamentais em 2010 (Tabela 3), tendo-se, na sequência, Turquia (13,6%), Índia
(10,3%), Itália (6,5%), Espanha (5,1%), Brasil (4,6%) e Egito (3,9 %).
A Índia parece
estar perdendo competitividade para a China. A Turquia pode estar se
transformando de grande exportador de produtos semiacabados de rochas
carbonáticas para os EUA, em um grande exportador de blocos dessas rochas para
a China.
O Brasil, em 2010, foi o 2º maior exportador de rochas silicáticas
brutas (código NCM 2516), representadas por blocos de granito; o 5º maior
exportador de rochas processadas especiais (código NCM 6802), relativas
sobretudo a chapas polidas de granito; o 3º maior exportador de produtos de ardósia
(código NCM 6803), atrás da Espanha e China; e, o 7º maior exportador de rochas
processadas simples (código NCM 6801), representadas, no caso brasileiro, quase
que essencialmente por produtos de quartzitos foliados (pedras do tipo São
Tomé).
|
TABELA 3 PRINCIPAIS PAÍSES EXPORTADORES DE ROCHAS ORNAMENTAIS
– 2006-2010 EVOLUÇÃO DO VOLUME FÍSICO E PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL
NO TOTAL MUNDIAL |
||||||||||
|
Países |
2006 |
2007 |
2008 |
2009 |
2010 |
|||||
|
1.000 t |
% |
1.000 t |
% |
1.000 t |
% |
1.000 t |
% |
1.000 t |
% |
|
|
China |
10.338 |
25,0 |
11.533 |
25,0 |
11.793 |
26,1 |
11.733 |
28,6 |
12.496 |
25,8 |
|
Turquia |
4.041 |
9,8 |
4.736 |
10,2 |
4.886 |
10,8 |
4.868 |
11,9 |
6.603 |
13,6 |
|
Índia |
4.522 |
10,9 |
5.571 |
12,1 |
5.426 |
12,0 |
5.311 |
12,9 |
5.005 |
10,3 |
|
Itália |
3.261 |
7,9 |
3.342 |
7,2 |
3.154 |
7,0 |
2.835 |
6,9 |
3.144 |
6,5 |
|
Espanha |
2.403 |
5,8 |
2.635 |
5,7 |
2.445 |
5,4 |
1.968 |
4,8 |
2.468 |
5,1 |
|
Brasil |
2.536 |
6,1 |
2.475 |
5,4 |
1.990 |
4,4 |
1.673 |
4,1 |
2.226 |
4,6 |
|
Egito |
1.094 |
2,6 |
1.330 |
2,9 |
2.085 |
4,6 |
1.973 |
4,8 |
1.882 |
3,9 |
|
FONTE: compilado a
partir de Montani (2007 a 2011). |
||||||||||
Principais
Importadores
Na Tabela 4 são mostrados os doze maiores importadores mundiais,
responsáveis por 61,1% do total das importações efetuadas em 2010, e que
revelam a força de alguns mercados. Além desses, os mercados da Polônia (544
mil t importadas), Rússia (464 mil t), Suíça (566 mil t) e Canadá (574 mil t)
são representativos e interessantes para o Brasil.
Existem no
caso três perfis de mercados ou países importadores:
a)
países principalmente importadores de rochas brutas,
que as beneficiam para atendimento do mercado doméstico e para exportações, como
por exemplo a China e Itália. Esses países são também, invariavelmente, grandes
produtores;
b)
países importadores de rochas brutas e processadas,
basicamente para atendimento do mercado doméstico, como por exemplo o Reino
Unido, Taiwan e Alemanha. Esses países são, normalmente, produtores pouco
expressivos;
c)
países principalmente importadores de rochas
processadas, para atendimento do mercado doméstico, como por exemplo Japão, EUA
e Coréia do Sul. Esses países, da mesma forma, são produtores e exportadores menos
expressivos.
A China foi a maior importadora
mundial em 2010, praticamente só adquirindo rochas brutas. Em 2º lugar ficaram
os EUA, país quase só importador de rochas processadas. A variação anual
registrada entre os anos 2005 e 2007 traduziu o aquecimento da economia mundial
e a pressão de demanda exercida por determinados mercados imobiliários, como os
da China, EUA, Golfo Pérsico e alguns países da Europa.
|
TABELA 4 PRINCIPAIS IMPORTADORES
MUNDIAIS DE ROCHAS ORNAMENTAIS – VOLUME FÍSICO 2006-2010 |
||||||||||
|
Países |
2006 |
2007 |
2008 |
2009 |
2010 |
|||||
|
1.000 t |
% |
1.000 t |
% |
1.000 t |
% |
1.000 t |
% |
1.000 t |
% |
|
|
China |
6.007 |
14,5 |
7.245 |
15,7 |
8.207 |
18,2 |
8.166 |
19,9 |
12.312 |
25,4 |
|
EUA |
4.943 |
11,9 |
5.277 |
11,4 |
3.956 |
8,8 |
3.147 |
7,7 |
3.389 |
7,0 |
|
Coréia
do Sul |
2.110 |
5,1 |
2.526 |
5,5 |
2.528 |
5,6 |
2.470 |
6,0 |
2.518 |
5,2 |
|
Alemanha |
2.407 |
5,8 |
2.596 |
5,6 |
2.098 |
4,6 |
1.967 |
4,8 |
1.762 |
3,6 |
|
Itália |
2.738 |
6,6 |
2.655 |
5,7 |
2.307 |
5,1 |
1.594 |
3,9 |
1.698 |
3,5 |
|
Taiwan |
1.931 |
4,7 |
1.608 |
3,5 |
1.484 |
3,3 |
1.312 |
3,2 |
1.597 |
3,3 |
|
França |
1.340 |
3,2 |
1.331 |
2,9 |
1.286 |
2,8 |
1.095 |
2,7 |
1.256 |
2,6 |
|
Reino Unido |
1.336 |
3,2 |
1.387 |
3,0 |
1.185 |
2,6 |
991 |
2,4 |
1.238 |
2,6 |
|
Bélgica |
1.415 |
3,4 |
1.453 |
3,1 |
1.177 |
2,6 |
1.091 |
2,7 |
1.218 |
2,5 |
|
Japão |
1.563 |
3,8 |
1.459 |
3,2 |
1.238 |
2,7 |
1.223 |
3,0 |
1.037 |
2,1 |
|
Espanha |
1.573 |
3,8 |
1.653 |
3,6 |
1.273 |
2,8 |
858 |
2,1 |
829 |
1,7 |
|
Holanda |
1.3012 |
3,2 |
1.226 |
2,7 |
1.199 |
2,7 |
903 |
2,2 |
758 |
1,6 |
|
FONTE: compilado a partir de Montani (2007 a
2011). |
||||||||||
Com a mudança do
cenário internacional, tanto o mercado americano quanto outros importantes
mercados importadores sofreram retração em 2008 e 2009, recuperando-se
parcialmente em 2010. É interessante observar que a Coréia do Sul, como país
importador, já ultrapassou a Alemanha e a Itália.
|
SITUAÇÃO BRASILEIRA DO SETOR DE ROCHAS ORNAMENTAIS |
Considerações
Gerais
Os produtos
comerciais do setor de rochas ornamentais, incluindo blocos, não devem ser
entendidos e tratados como commodities,
mas sim como specialties ou
manufaturas. A garantia de mercado, que traduz a efetiva capacidade de
comercialização dos produtos do setor, é assim tão importante quanto a garantia
de produção e beneficiamento de suas matérias-primas.
O setor de
rochas é fundamentalmente integrado por micro e pequenas empresas[2] de lavra
(mineradoras), beneficiamento (serrarias), acabamento (marmorarias) e serviços,
cuja realidade é muito distinta das grandes empresas do setor mineral. As micro
e pequenas empresas brasileiras ainda não têm suas necessidades bem atendidas e
entendidas pelos programas governamentais de fomento, que são tradicionalmente mais
focados e dirigidos para as grandes empresas e projetos mínero-industriais de commodities.
Pelo exemplo
que se tem do Estado do Espírito Santo, a estruturação de Arranjos Produtivos
Locais (APLs) é um fator importante para o desenvolvimento do setor de rochas
no Brasil. Essa estruturação depende da verticalização da atividade produtiva,
com lavra e beneficiamento das matérias-primas de interesse comercial. O
fortalecimento dos APLs pode ser efetivado mediante concessão de incentivos
fiscais e tributários, como base para atração de empreendimentos e desoneração
da produção.
São
tecnicamente vislumbradas as diversas possibilidades de aproveitamento de
rejeitos/resíduos de rochas ornamentais como matéria-prima de uso industrial. É
preciso promover uma aproximação entre as indústrias potencialmente
consumidoras desses resíduos e os possíveis fornecedores, em um trabalho
conhecido como “simbiose industrial”.
Em função da
crise econômica internacional instalada em 2008, barreiras tarifárias e,
sobretudo, não tarifárias têm sido cada vez mais utilizadas como mecanismo de
proteção de mercados. Constituem exemplos as taxas de importação mantidas pela
China, já antes de 2008, para produtos acabados e semiacabados, que
inviabilizam a entrada de chapas polidas brasileiras em seu mercado; a
tentativa de desqualificação das telhas de ardósia brasileira no mercado
europeu e, particularmente, na Marcação CE (Certificado de Conformidade da
Europa), por iniciativa de entidades e produtores espanhóis; e a campanha
movida contra a utilização de bancadas de granito, em ambientes internos, no
mercado dos EUA, sob a alegação de que elas emitiriam gás radônio.
As
bases competitivas desejáveis para o setor de rochas são sistêmicas e muitas
vezes dependentes de fatores externos ao próprio setor, vinculados a políticas
públicas e mecanismos institucionais de fomento para a atividade produtiva, ou
de iniciativas internas como as que agora se tenta delinear para o Estado da
Bahia.
3.2 Perfil da
Atividade Produtiva
Estima-se que os
negócios brasileiros do setor de rochas ornamentais, nos mercados interno e
externo, inclusive relativos a serviços e à comercialização de máquinas,
equipamentos e insumos, tenham movimentado US$ 4,2 bilhões em 2010. Cerca de
10.000 empresas (Tabela 5), dentre as quais pelo menos 500 exportadoras,
integram sua cadeia produtiva e respondem por 120 mil empregos diretos e 360
mil indiretos.
As marmorarias perfazem
mais de 60% das empresas do setor e são responsáveis pela maior parte dos
empregos agregados, conforme apontado na Tabela 5. Destaca-se que, no Brasil, é
de apenas US$ 10 mil o custo estimado para a geração de um emprego direto no
setor de rochas, contra algumas centenas de milhares de dólares, por exemplo,
na indústria automobilística.
|
TABELA 5 EMPRESAS DO SETOR DE ROCHAS OPERANTES NO BRASIL –
2010 |
||
|
Segmento |
Nº Estimado de Empresas |
Participação |
|
Marmoraria |
6.100 |
61,0% |
|
Beneficiamento |
2.000 |
20,0% |
|
Lavra |
900 |
9,0% |
|
Exportadoras |
500 |
5,0% |
|
Serviços |
300 |
3,0% |
|
Depósitos de
Chapas |
100 |
1,0% |
|
Indústrias
de Máquinas, Equipamentos e Insumos |
100 |
1,0% |
|
Total |
10.000 |
100% |
|
FONTE:
Chiodi Filho (2009), com atualizações. |
||
|
TABELA 6 DISTRIBUIÇÃO DOS
EMPREGOS POR RAMO DE ATIVIDADE NA CADEIA PRODUTIVA DO SETOR DE ROCHAS
ORNAMENTAIS – 2010 |
||
|
Segmento |
Nº Estimado de Empregos |
Participação |
|
Marmoraria |
60.000 |
50,0% |
|
Beneficiamento |
32.000 |
26,7% |
|
Lavra |
18.000 |
15,0% |
|
Ensino e Serviços |
3.000 |
2,5% |
|
Exportadoras |
2.000 |
1,7% |
|
Indústrias
de Máquinas, Equipamentos e Insumos |
2.000 |
1,7% |
|
Depósitos de
Chapas |
1.000 |
0,8% |
|
Total |
120.000 |
100% |
|
FONTE:
Chiodi Filho (2009), com atualizações. |
||
O parque brasileiro de
beneficiamento tem capacidade instalada, de serragem e polimento de chapas,
para 70 milhões m2/ano, a partir de rochas extraídas em blocos e
caracterizadas por gerarem a maior parte dos denominados produtos especiais (acabados
e semiacabados). Esta capacidade é acrescida de mais 50 milhões m2/ano
em produtos simples (acabados), obtidos principalmente a partir de rochas
portadoras de planos naturais de desplacamento (ardósias, quartzitos e gnaisses
foliados, calcários e basaltos plaqueados, etc.).
A cadeia produtiva do setor de
rochas envolve basicamente a extração de matérias-primas em pedreiras, seu
desdobramento por serragem em produtos semiacabados e o recorte e preparação de
produtos finais (Figura 2). Além de mineradores, serradores e marmoristas,
participam dessa cadeia produtiva, fabricantes de máquinas, equipamentos e
insumos diversos utilizados pelos elos centrais, bem como fabricantes de
produtos para limpeza e conservação após aplicação e uso dos revestimentos.
As serrarias de blocos
e polimento de chapas, junto com as marmorarias, shoppings da construção e
depósitos de chapas, são os principais integrantes da estrutura de oferta
(produção), discriminando-se as construtoras e os consumidores individuais como
os principais integrantes da estrutura de demanda (consumo). As serrarias
constituem atualmente os principais fornecedores das construtoras e suas obras
maiores, enquanto as marmorarias permanecem como fornecedoras preferenciais dos
pequenos consumidores (consumidores individuais). Pode-se da mesma forma
observar que os denominados depósitos de chapas são os principais fornecedores
dos materiais importados, apesar do crescimento das importações diretas
efetuadas pelas grandes construtoras e pelas próprias empresas produtoras de
chapas.

![]()
A maior parte das
atividades de lavra e beneficiamento primário concentra-se em arranjos
produtivos locais, como os de mármores e granitos do Espírito Santo, de
ardósias e quartzitos foliados de Minas Gerais, de gnaisses foliados do Rio de
Janeiro, de basaltos plaqueados do Rio Grande do Sul, de travertinos da Bahia,
de calcários plaqueados do Ceará, etc. Os estados da Região Sudeste do Brasil,
com destaque para São Paulo, têm a maior concentração de marmorarias (cerca de
70% do total brasileiro), além da maior capacidade instalada para trabalhos de
acabamento.
A estrutura de preços
dos diversos produtos comerciais do setor de rochas é bastante diferenciada
entre os mercados interno e externo. Os preços de produtos brasileiros para o
mercado interno são quase sempre inferiores àqueles praticados para o mercado
externo, em uma proporção de até 1:3. Este diferencial pode oscilar para menos
nos mármores (1:1) e para mais nas ardósias (1:10).
Os produtos semiacabados, a exemplo das chapas
polidas, agregam de três a quatro vezes mais valor de comercialização que o dos
blocos das matérias-primas que lhes deram origem. Os produtos acabados, como
tampos de pias, mesas e balcões, dentre outros, agregam até dez vezes mais
valor que o de suas matérias-primas.
Distribuição da
Produção Brasileira
A partir de
estudos realizados pelo Instituto Metas (2002), para o Ministério da Ciência e
Tecnologia – MCT, evidenciou-se a existência de 18 aglomerações produtivas
relacionadas ao setor de rochas ornamentais e de revestimento no Brasil,
envolvendo atividades de lavra em 10 estados e 80 municípios da Federação
(Tabela 7). Mais amplamente, foram registrados 370 municípios com recolhimento
da CFEM – Compensação Financeira pela Exploração Mineral, para extração de
rochas ornamentais.
A região
sudeste tem a maior concentração desses aglomerados, demonstrando a relação
direta entre polos de produção e consumo regionais. Os estados da Região
Nordeste constituem as próximas grandes fronteiras brasileiras para produção e
beneficiamento de rochas ornamentais.
A produção
brasileira de materiais rochosos naturais, para ornamentação e revestimento,
foi estimada em 8,9 milhões t em 2010. Esta produção inclui granitos e
similares, mármores, travertinos, ardósias, quartzitos maciços e foliados,
basaltos e gabros, serpentinitos, pedra-sabão e pedra-talco, calcários,
metaconglomerados polimíticos e oligomíticos, cherts, arenitos, xistos
diversos, etc. Assume-se a existência de 1.400 frentes ativas de lavra, sempre
a céu aberto e em maciço ou matacões, responsáveis por cerca de 1.000
variedades comerciais de rochas colocadas nos mercados interno e externo.
O perfil da
produção brasileira, por tipo de rocha, é mostrado na Tabela 8, observando-se
que os materiais comercialmente classificados como granitos correspondem a
quase 50% do total produzido. A distribuição regional dessa produção é mostrada
na Tabela 9, salientando-se que a Região Sudeste do Brasil responde por 65% do
total. A distribuição da produção pelos estados é mostrada na Tabela 10,
tendo-se o Espírito Santo e Minas Gerais como os dois principais polos de lavra
do Brasil.
|
TABELA 7 PRINCIPAIS AGLOMERAÇÕES PRODUTIVAS DO
SETOR DE ROCHAS NO BRASIL |
|||
|
Região |
Aglomerações Identificadas |
UF |
Nº Munic. |
|
Sudeste |
Pedra Paduana |
RJ |
1 |
|
Ardósias Papagaio |
MG |
8 |
|
|
Mármores e Granitos Cachoeiro de
Itapemirim |
ES |
8 |
|
|
Granitos Nova Venécia |
ES |
6 |
|
|
Quartzitos São Thomé |
MG |
6 |
|
|
Granitos Baixo Guandu |
ES |
4 |
|
|
Granitos Medina |
MG |
4 |
|
|
Granitos Candeias - Caldas |
MG |
16 |
|
|
Granitos Bragança Paulista |
SP |
4 |
|
|
Quartzitos e Pedra-Sabão Ouro Preto |
MG |
4 |
|
|
Quartzitos Alpinópolis |
MG |
2 |
|
|
Região Centro-Oeste |
Quartzitos Pirenópolis |
GO |
2 |
|
Região Sul |
Basaltos Nova Prata |
RS |
7 |
|
Ardósias Trombudo Central |
SC |
1 |
|
|
Região Nordeste |
Travertinos Ourolândia |
BA |
2 |
|
Granitos Teixeira de Freitas |
BA |
2 |
|
|
Pedra Cariri |
CE |
2 |
|
|
Pedra Morisca |
PI |
1 |
|
|
Total |
18
Aglomerações Produtivas de Rochas |
10 UF |
80 Munic. |
|
FONTE: Instituto Metas (2002). |
|||
TABELA 8 PERFIL
DA PRODUÇÃO BRASILEIRA POR TIPO DE ROCHA – 2010 |
||
|
Tipo de Rocha |
Produção (Milhão t) |
Participação Percentual |
|
Granito
e Similares |
4,4 |
49,4 |
|
Mármore
e Travertino |
1,5 |
16,9 |
|
Ardósia |
0,7 |
7,9 |
|
Quartzito
Foliado |
0,6 |
6,7 |
|
Quartzito
Maciço |
0,4 |
4,5 |
|
Pedra
Miracema |
0,2 |
2,2 |
|
Outros (Basalto, Pedra Cariri, Pedra-Sabão,
Pedra Morisca, etc.) |
1,1 |
12,4 |
|
Total estimado |
8,9 |
100,0 |
|
FONTE: Chiodi Filho (2009), com
atualizações. |
||
TABELA 9 DISTRIBUIÇÃO REGIONAL DA PRODUÇÃO BRUTA DE
ROCHAS ORNAMENTAIS NO BRASIL - 2010 |
||
|
Região |
Produção (milhão t) |
Participação Percentual |
|
Sudeste |
5,8 |
65,2 |
|
Nordeste |
2,2 |
24,7 |
|
Sul |
0,36 |
4,0 |
|
Centro-Oeste |
0,36 |
4,0 |
|
Norte |
0,18 |
2,0 |
|
Total estimado |
8,9 |
100,0 |
FONTE: Chiodi Filho
(2009), com atualizações.
TABELA 10 DISTRIBUIÇÃO ESTADUAL DA PRODUÇÃO DE
ROCHAS ORNAMENTAIS NO BRASIL – 2010 |
|||
|
Região |
Estado |
Produção (1.000 t) |
Tipo de Rocha |
|
Sudeste |
Espírito Santo |
3.500 |
Granito e
mármore |
|
Minas Gerais |
2.000 |
Granito, ardósia, quartzito foliado,
pedra-sabão, pedra-talco, serpentinito, mármore e basalto |
|
|
Rio de Janeiro |
200 |
Granito, mármore e pedra Paduana |
|
|
São Paulo |
100 |
Granito,
quartzito foliado |
|
|
Sul |
Paraná |
130 |
Granito e
mármore |
|
Rio Grande do
Sul |
100 |
Granito,
basalto e quartzio |
|
|
Santa Catarina |
130 |
Granito,
ardósia e mármore |
|
|
Centro-Oeste |
Goiás |
280 |
Granito,
quartzito foliado, serpentinito |
|
Mato Grosso |
40 |
Granito |
|
|
Mato Grosso do Sul |
40 |
Granito e
mármore |
|
|
Nordeste |
Bahia |
700 |
Granito, mármore, travertino, arenito e quartzito |
|
Ceará |
570 |
Granito e pedra
Cariri |
|
|
Paraíba |
430 |
Granito e
conglomerado |
|
|
Pernambuco |
130 |
Granito e quartzito |
|
|
Alagoas |
150 |
Granito |
|
|
Rio Grande
Norte |
120 |
Mármore e granito |
|
|
Piauí |
100 |
Pedra Morisca e
ardósia |
|
|
Norte |
Rondônia |
70 |
Granito |
|
Roraima |
20 |
Granito |
|
|
Pará |
30 |
Granito |
|
|
|
Tocantins |
30 |
Granito, chert
(quartzito), serpentinito |
|
Total Brasil |
8.900 |
|
|
|
FONTE: Chiodi Filho (2009), com atualizações. |
|||
Histórico
Recente das Exportações e Importações Brasileiras de Rochas
A partir da década de
1990, o Brasil experimentou um notável adensamento de atividades em todos os
segmentos da cadeia produtiva do setor de rochas ornamentais e de revestimento[3]. Os principais
avanços foram decorrentes do aumento das exportações, que evidenciaram uma
forte evolução qualitativa e quantitativa.
Qualitativamente, foi
modificado o perfil das exportações, com o incremento da venda de rochas
processadas semiacabadas, principalmente chapas polidas de granito, bem como
produtos acabados de ardósias e quartzitos foliados. Quantitativamente, essas
exportações evoluíram de 900 mil t, em 1997, para 2,5 milhões t em 2007,
alavancadas pelas vendas de blocos para a China e de chapas polidas para os
EUA.
No ano de 2006, o
Brasil chegou assim a colocar-se como o 4º maior produtor e exportador mundial
de rochas ornamentais e de revestimento, superando vários players europeus tradicionais e notabilizando-se pela excepcional
geodiversidade de suas matérias-primas. O crescimento brasileiro foi simpático
a uma expressiva rearticulação mundial do setor, marcada pelo deslocamento de
atividades de lavra e beneficiamento para países extraeuropeus, como China,
Índia, Turquia, Irã e o próprio Brasil (Figura 3).
A participação da
produção voltada para o mercado externo, no total da produção brasileira de
rochas, atingiu o pico de 43,4% justamente no ano de 2006, recuando, desde
então, até 29,5% em 2009 e novamente evoluindo para 33,7% em 2010 (Tabela 11).
Com a instalação da
crise do mercado imobiliário dos EUA em 2007, e posteriormente já em 2009, com
a recessão da economia mundial, recuaram tanto a produção quanto, sobretudo, as
exportações brasileiras de rochas ornamentais. O volume físico dessas
exportações recuou de 2,5 milhões t em 2007 para 1,99 milhões t em 2008 e 1,67
milhões em 2009, enquanto o faturamento caiu respectivamente de US$ 1,1 bilhão
para US$ 955 milhões e US$ 724 milhões.
As importações brasileiras de rochas ornamentais evidenciaram dois picos
de elevação ao longo dos últimos 15 anos. O primeiro ocorreu em 1998, com 73,5
mil t importadas, e o segundo em 2008, com 91,2 mil t: ambos coincidiram com
períodos de aquecimento da economia e queda da cotação do US dólar.
Apesar de ainda estimulada pela valorização do real e pelo aquecimento
do mercado interno da construção civil, a taxa de variação das importações foi
negativa em 2009, refletindo o impacto da crise econômica internacional.

TABELA 11 EVOLUÇÃO DA
PRODUÇÃO BRASILEIRA DE ROCHAS VOLTADA PARA OS MERCADOS
INTERNO E EXTERNO – 2000-2010 |
|||
|
Período |
Produção (t) Mercado Externo |
Produção (t) Mercado Interno |
Produção Total
(t) |
|
2000 |
1.288.993,0 |
3.939.607,0 |
5.228.600,0 |
|
24,6% |
75,4% |
100% |
|
|
2001 |
1.319.261,8 |
3. 824.104,6 |
5.153.366,4 |
|
25,6% |
74,4% |
100% |
|
|
2002 |
1.567.987,4 |
4.031.967,6 |
5.559.955,0 |
|
28,0% |
72,0 % |
100 % |
|
|
2003 |
1.947.539,6 |
4.138.521,7 |
6.086.061,3 |
|
32,0% |
68,0% |
100 % |
|
|
2004 |
2.324.783,4 |
4.132.948,3 |
6.457.731,7 |
|
36,0% |
64,0% |
100% |
|
|
2005 |
2.719.996,6
(+17%) |
4.174.277,8 (+1%) |
6.894.274,4
(+6,8%) |
|
39,5% |
60,5% |
100% |
|
TABELA 11 EVOLUÇÃO DA
PRODUÇÃO BRASILEIRA DE ROCHAS VOLTADA PARA OS MERCADOS
INTERNO E EXTERNO – 2000-2010 |
|||
|
Período |
Produção (t) Mercado Externo |
Produção (t) Mercado Interno |
Produção Total
(t) |
|
2006 |
3.263.995,9
(+20%) |
4.257.763,4 (+2%) |
7.521.759,3
(+9,1%) |
|
43,4% |
56,6% |
100% |
|
|
2007 |
3.373.422,2 (+3%) |
4.598.384,5 (+8%) |
7.971.806,7
(+6,0%) |
|
42,3% |
57,7% |
100% |
|
|
2008 |
2.700.000 (-20%) |
5.100.000 (+11%) |
7.800.000 (-2,2%) |
|
34,6% |
65,4% |
100% |
|
|
2009 |
2.240.000 (-17%) |
5.360.000 (+5%) |
7.600.000 (-2,6%) |
|
29,5% |
70,5% |
100% |
|
|
2010 |
3.000.000 (+34%) |
5.900.000 (+10%) |
8.900.000
(+17,1%) |
|
33,7% |
66,3% |
100% |
|
A maior parte das importações de materiais rochosos naturais é referente
a chapas polidas de mármores, travertinos e calcários provenientes principalmente
da Turquia, Espanha, Itália e Grécia. Tem-se observado um crescimento também
bastante expressivo de chapas aglomeradas, neste caso importadas sobretudo da
China.
[1] NCM –
Nomenclatura Comum do Mercosul é um sistema harmonizado, de codificação e
classificação de mercadorias para comércio internacional, aplicado pelos países
desse bloco econômico.
[2] Sob qualquer critério de classificação,
são muito raras, no setor de rochas, as empresas de médio porte e inexistentes
as de grande porte.
[3] Neste texto designa-se como rocha
ornamental e de revestimento apenas os materiais rochosos naturais,
excluindo-se os produtos aglomerados / industrializados a partir de ligantes
resinóides.