FEIRA DE VITÓRIA 2012 – INFORMAÇÕES SETORIAIS DE INTERESSE PARA O SEMINÁRIO DA APEX/ABIROCHAS

Texto elaborado pela ABIROCHAS – geól. Cid Chiodi Filho

24/01/2012

CENÁRIO MUNDIAL DO SETOR DE ROCHAS ORNAMENTAIS

 

A produção mundial noticiada de rochas ornamentais e de revestimento evoluiu de 1,8 milhão t/ano, na década de 1920, para um patamar atual de 111 milhões t/ano. Cerca de 48 milhões t de rochas brutas e beneficiadas foram comercializadas no mercado internacional em 2010, destacando-se que o notável crescimento do intercâmbio mundial caracterizou as décadas de 1980 e 1990 como a “nova idade da pedra” e, o próprio setor de rochas, como uma das mais importantes áreas emergentes de negócios mínero-industriais. Em âmbito mundial, estima-se que o setor de rochas esteja atualmente movimentando transações comerciais de US$ 100 a 120 bilhões/ano.

A década de 2000, pelo menos até 2007, foi marcada pela multiplicação de feiras setoriais internacionais, pela modernização das tecnologias de lavra, beneficiamento e acabamento, pela diversificação dos produtos comerciais e da carteira de rochas comercializadas, pela bolha de consumo no mercado dos EUA e pela notável expansão chinesa no mercado internacional.

Com o estouro da bolha imobiliária norte-americana e instalação da crise econômica mundial, a partir de meados de 2008, promoveu-se um novo cenário, delineado pelo forte enxugamento do crédito, acirramento da concorrência entre os exportadores e aumento da pressão de oferta dos grandes produtores. Este cenário negativo mostrou sinais de recuperação ao longo de 2010 e 2011, pelo incremento lento, mas consistente, das transações internacionais e aquecimento da construção civil fora dos EUA e da zona do euro.

Uma condicionante setorial relevante está sendo orientada pelo cada vez mais intenso controle ambiental das atividades produtivas, determinando a necessidade de conservação de energia e otimização das formas de uso das matérias-primas. Cresce, assim, a oferta e demanda de tecnologias limpas para atividades extrativas e industriais; a elaboração de chapas mais delgadas para revestimentos em geral; e a oferta de materiais artificiais aglomerados, neste caso importantes para o aproveitamento de rejeitos – que devem ser percebidos como estoques remanescentes – e melhoria dos índices de recuperação na lavra e beneficiamento.

As projeções de consumo/produção e intercâmbio mundial, das matérias-primas da construção civil, não apontam mudanças de paradigmas, sugerindo a manutenção da tendência de crescimento da demanda dos materiais rochosos naturais para revestimento. Montani (2007) estima que, no ano de 2025, a produção mundial de rochas ornamentais ultrapassará a casa dos 400 milhões t, correspondentes a quase 5 bilhões m2 equivalentes/ano, devendo-se ainda multiplicar por cinco o volume físico das transações internacionais de 2006 (Figura 1).

 

 

 

Produção Mundial

 

Segundo Montani (2011), a produção mundial estimada de rochas ornamentais, no ano de 2010, totalizou 111,5 milhões t, correspondentes a cerca de 41,3 milhões m3 ou 1,22 bilhões m2 equivalentes de chapas com 2 cm de espessura. Esta produção envolveu 65,2 milhões t (58,5%) de rochas carbonáticas, 40,5 milhões t (36,3%) de rochas silicáticas e 5,8 milhões t (5,2%) de ardósias e outras rochas xistosas (Tabela 1).

Como resultado do desenvolvimento de tecnologias mais adequadas para lavra e beneficiamento de materiais duros, a participação das rochas silicáticas no total da produção evoluiu de 10%, na década de 1920, para o patamar atual de quase 40%. Um dos principais responsáveis por esse crescimento foi sem dúvida o Brasil, que a partir da década de 1980 colocou centenas de novos granitos no mercado internacional.

A China foi a maior produtora mundial em 2010, com 33,0 milhões t. O segundo maior produtor mundial foi a Índia, com 13,3 milhões t. Seguem, com uma produção entre 7,0-9,0 milhões t, o Brasil, a Turquia e a Itália.

Ao longo da década de 2000 cresceu significativamente a produção de países extraeuropeus, caso da China, Índia, Irã, Turquia e Brasil, enquanto permaneceu inalterada, ou até com leve declínio, a produção dos players europeus tradicionais, como a Itália, Espanha, Portugal e Grécia.

 

TABELA 1

PRODUÇÃO MUNDIAL DAS ROCHAS ORNAMENTAIS

PERFIL HISTÓRICO

Ano

Mármores

Granitos

Ardósias

Total

1.000 t

%

1.000 t

%

1.000 t

%

1.000 t

1926

1.175

65,6

175

9,8

440

24,6

1.790

1976

13.600

76,4

3.400

19,1

800

4,5

17.800

1986

13.130

60,5

7.385

34,0

1.195

5,5

21.710

1996

26.450

56,9

17.625

37,9

2.425

5,2

46.500

1998

29.400

57,6

19.000

37,3

2.600

5,1

51.000

2000

34.500

57,8

21.700

36,3

3.450

5,9

59.650

2002

39.000

57,8

25.000

37,0

3.500

5,2

67.500

2004

43.750

53,9

33.000

40,6

4.500

5,5

81.250

2006

53.350

57,5

34.800

37,5

4.600

5,0

92.750

2008

61.000

58,0

38.300

36,5

5.700

5,5

105.000

2010

65.230

58,5

40.500

36,3

5.750

5,2

111.500

FONTE: compilado a partir dos dados de Montani (2011).

 

Mercado Internacional

 

A evolução recente do mercado internacional é mostrada na Tabela 2, onde se observa o aumento da participação das rochas brutas (posições NCM[1] 2515 e 2516) no total do volume físico comercializado em 2010. A maior parte dessa expansão é devida à China, principal importadora mundial de rochas brutas. A redução do volume físico do comércio internacional, em 2008, foi a primeira registrada desde o início formal da tabulação de dados mundiais, na década de 1970. O volume físico transacionado internacionalmente em 2010 (48.498 mil t) já superou o pico de 2007 (46.232 mil t), atingido antes da crise do subprime no mercado imobiliário dos EUA.


 

 


TABELA 2

EVOLUÇÃO DO MERCADO INTERNACIONAL DE ROCHAS ORNAMENTAIS E DE REVESTIMENTO

2006-2010

Produtos /

Código NCM

2006

2007

2008

2009

2010

1.000 t

%

1.000 t

%

1.000 t

%

1.000 t

%

1.000 t

%

RSB

2516

10.562

25,5

11.429

24,7

10.816

23,9

8.909

21,7

10.531

21,7

RCB

2515

7.495

18,1

8.271

17,9

9.384

20,8

9.466

23,0

13.334

27,5

RPE

6802

18.138

43,8

21.150

45,8

19.791

43,8

18.199

44,3

20.026

41,3

RPS

6801

3.804

9,2

3.814

8,2

3.702

8,2

3.262

8,0

3.301

6,8

PA

6803

1.369

3,3

1.568

3,4

1.500

3,3

1.242

3,0

1.306

2,7

Total

41.368

100

46.232

100

45.193

100

41.078

100

48.498

100

RSB – rochas silicáticas brutas; RCB – rochas carbonáticas brutas; RPE – rochas processadas especiais; RPS – rochas processadas simples; PA – produtos de ardósia. FONTE: compilado a partir de Montani (2007 a 2011).

 

 

Principais Exportadores

 

A China foi responsável por 25,8% do total do volume físico das exportações mundiais de rochas ornamentais em 2010 (Tabela 3), tendo-se, na sequência, Turquia (13,6%), Índia (10,3%), Itália (6,5%), Espanha (5,1%), Brasil (4,6%) e Egito (3,9 %).

A Índia parece estar perdendo competitividade para a China. A Turquia pode estar se transformando de grande exportador de produtos semiacabados de rochas carbonáticas para os EUA, em um grande exportador de blocos dessas rochas para a China.

O Brasil, em 2010, foi o 2º maior exportador de rochas silicáticas brutas (código NCM 2516), representadas por blocos de granito; o 5º maior exportador de rochas processadas especiais (código NCM 6802), relativas sobretudo a chapas polidas de granito; o 3º maior exportador de produtos de ardósia (código NCM 6803), atrás da Espanha e China; e, o 7º maior exportador de rochas processadas simples (código NCM 6801), representadas, no caso brasileiro, quase que essencialmente por produtos de quartzitos foliados (pedras do tipo São Tomé).


 

 

TABELA 3

PRINCIPAIS PAÍSES EXPORTADORES DE ROCHAS ORNAMENTAIS – 2006-2010

EVOLUÇÃO DO VOLUME FÍSICO E PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL NO TOTAL MUNDIAL

Países

2006

2007

2008

2009

2010

1.000 t

%

1.000 t

%

1.000 t

%

1.000 t

%

1.000 t

%

China

10.338

25,0

11.533

25,0

11.793

26,1

11.733

28,6

12.496

25,8

Turquia

4.041

9,8

4.736

10,2

4.886

10,8

4.868

11,9

6.603

13,6

Índia

4.522

10,9

5.571

12,1

5.426

12,0

5.311

12,9

5.005

10,3

Itália

3.261

7,9

3.342

7,2

3.154

7,0

2.835

6,9

3.144

6,5

Espanha

2.403

5,8

2.635

5,7

2.445

5,4

1.968

4,8

2.468

5,1

Brasil

2.536

6,1

2.475

5,4

1.990

4,4

1.673

4,1

2.226

4,6

Egito

1.094

2,6

1.330

2,9

2.085

4,6

1.973

4,8

1.882

3,9

FONTE: compilado a partir de Montani (2007 a 2011).

 

Principais Importadores

 

Na Tabela 4 são mostrados os doze maiores importadores mundiais, responsáveis por 61,1% do total das importações efetuadas em 2010, e que revelam a força de alguns mercados. Além desses, os mercados da Polônia (544 mil t importadas), Rússia (464 mil t), Suíça (566 mil t) e Canadá (574 mil t) são representativos e interessantes para o Brasil.

Existem no caso três perfis de mercados ou países importadores:

a)         países principalmente importadores de rochas brutas, que as beneficiam para atendimento do mercado doméstico e para exportações, como por exemplo a China e Itália. Esses países são também, invariavelmente, grandes produtores;

b)         países importadores de rochas brutas e processadas, basicamente para atendimento do mercado doméstico, como por exemplo o Reino Unido, Taiwan e Alemanha. Esses países são, normalmente, produtores pouco expressivos;

c)         países principalmente importadores de rochas processadas, para atendimento do mercado doméstico, como por exemplo Japão, EUA e Coréia do Sul. Esses países, da mesma forma, são produtores e exportadores menos expressivos.

            A China foi a maior importadora mundial em 2010, praticamente só adquirindo rochas brutas. Em 2º lugar ficaram os EUA, país quase só importador de rochas processadas. A variação anual registrada entre os anos 2005 e 2007 traduziu o aquecimento da economia mundial e a pressão de demanda exercida por determinados mercados imobiliários, como os da China, EUA, Golfo Pérsico e alguns países da Europa.

TABELA 4

PRINCIPAIS IMPORTADORES MUNDIAIS DE ROCHAS ORNAMENTAIS – VOLUME FÍSICO

2006-2010

Países

2006

2007

2008

2009

2010

1.000 t

%

1.000 t

%

1.000 t

%

1.000 t

%

1.000 t

%

China

6.007

14,5

7.245

15,7

8.207

18,2

8.166

19,9

12.312

25,4

EUA

4.943

11,9

5.277

11,4

3.956

8,8

3.147

7,7

3.389

7,0

Coréia do Sul

2.110

5,1

2.526

5,5

2.528

5,6

2.470

6,0

2.518

5,2

Alemanha

2.407

5,8

2.596

5,6

2.098

4,6

1.967

4,8

1.762

3,6

Itália

2.738

6,6

2.655

5,7

2.307

5,1

1.594

3,9

1.698

3,5

Taiwan

1.931

4,7

1.608

3,5

1.484

3,3

1.312

3,2

1.597

3,3

França

1.340

3,2

1.331

2,9

1.286

2,8

1.095

2,7

1.256

2,6

Reino Unido

1.336

3,2

1.387

3,0

1.185

2,6

991

2,4

1.238

2,6

Bélgica

1.415

3,4

1.453

3,1

1.177

2,6

1.091

2,7

1.218

2,5

Japão

1.563

3,8

1.459

3,2

1.238

2,7

1.223

3,0

1.037

2,1

Espanha

1.573

3,8

1.653

3,6

1.273

2,8

858

2,1

829

1,7

Holanda

1.3012

3,2

1.226

2,7

1.199

2,7

903

2,2

758

1,6

FONTE: compilado a partir de Montani (2007 a 2011).

 

Com a mudança do cenário internacional, tanto o mercado americano quanto outros importantes mercados importadores sofreram retração em 2008 e 2009, recuperando-se parcialmente em 2010. É interessante observar que a Coréia do Sul, como país importador, já ultrapassou a Alemanha e a Itália.

 


 

SITUAÇÃO BRASILEIRA DO SETOR DE ROCHAS ORNAMENTAIS

 

Considerações Gerais

 

Os produtos comerciais do setor de rochas ornamentais, incluindo blocos, não devem ser entendidos e tratados como commodities, mas sim como specialties ou manufaturas. A garantia de mercado, que traduz a efetiva capacidade de comercialização dos produtos do setor, é assim tão importante quanto a garantia de produção e beneficiamento de suas matérias-primas.

O setor de rochas é fundamentalmente integrado por micro e pequenas empresas[2] de lavra (mineradoras), beneficiamento (serrarias), acabamento (marmorarias) e serviços, cuja realidade é muito distinta das grandes empresas do setor mineral. As micro e pequenas empresas brasileiras ainda não têm suas necessidades bem atendidas e entendidas pelos programas governamentais de fomento, que são tradicionalmente mais focados e dirigidos para as grandes empresas e projetos mínero-industriais de commodities.

Pelo exemplo que se tem do Estado do Espírito Santo, a estruturação de Arranjos Produtivos Locais (APLs) é um fator importante para o desenvolvimento do setor de rochas no Brasil. Essa estruturação depende da verticalização da atividade produtiva, com lavra e beneficiamento das matérias-primas de interesse comercial. O fortalecimento dos APLs pode ser efetivado mediante concessão de incentivos fiscais e tributários, como base para atração de empreendimentos e desoneração da produção.

São tecnicamente vislumbradas as diversas possibilidades de aproveitamento de rejeitos/resíduos de rochas ornamentais como matéria-prima de uso industrial. É preciso promover uma aproximação entre as indústrias potencialmente consumidoras desses resíduos e os possíveis fornecedores, em um trabalho conhecido como “simbiose industrial”.

Em função da crise econômica internacional instalada em 2008, barreiras tarifárias e, sobretudo, não tarifárias têm sido cada vez mais utilizadas como mecanismo de proteção de mercados. Constituem exemplos as taxas de importação mantidas pela China, já antes de 2008, para produtos acabados e semiacabados, que inviabilizam a entrada de chapas polidas brasileiras em seu mercado; a tentativa de desqualificação das telhas de ardósia brasileira no mercado europeu e, particularmente, na Marcação CE (Certificado de Conformidade da Europa), por iniciativa de entidades e produtores espanhóis; e a campanha movida contra a utilização de bancadas de granito, em ambientes internos, no mercado dos EUA, sob a alegação de que elas emitiriam gás radônio.

As bases competitivas desejáveis para o setor de rochas são sistêmicas e muitas vezes dependentes de fatores externos ao próprio setor, vinculados a políticas públicas e mecanismos institucionais de fomento para a atividade produtiva, ou de iniciativas internas como as que agora se tenta delinear para o Estado da Bahia.

 

3.2 Perfil da Atividade Produtiva

 

Estima-se que os negócios brasileiros do setor de rochas ornamentais, nos mercados interno e externo, inclusive relativos a serviços e à comercialização de máquinas, equipamentos e insumos, tenham movimentado US$ 4,2 bilhões em 2010. Cerca de 10.000 empresas (Tabela 5), dentre as quais pelo menos 500 exportadoras, integram sua cadeia produtiva e respondem por 120 mil empregos diretos e 360 mil indiretos.

As marmorarias perfazem mais de 60% das empresas do setor e são responsáveis pela maior parte dos empregos agregados, conforme apontado na Tabela 5. Destaca-se que, no Brasil, é de apenas US$ 10 mil o custo estimado para a geração de um emprego direto no setor de rochas, contra algumas centenas de milhares de dólares, por exemplo, na indústria automobilística.

TABELA 5

EMPRESAS DO SETOR DE ROCHAS OPERANTES NO BRASIL – 2010

Segmento

Nº Estimado

de Empresas

Participação

Marmoraria

6.100

61,0%

Beneficiamento

2.000

20,0%

Lavra

900

9,0%

Exportadoras

500

5,0%

Serviços

300

3,0%

Depósitos de Chapas

100

1,0%

Indústrias de Máquinas, Equipamentos e Insumos

100

1,0%

Total

10.000

100%

FONTE: Chiodi Filho (2009), com atualizações.

 


 

 

TABELA 6

DISTRIBUIÇÃO DOS EMPREGOS POR RAMO DE ATIVIDADE NA CADEIA PRODUTIVA DO SETOR DE ROCHAS ORNAMENTAIS – 2010

Segmento

Nº Estimado

de Empregos

Participação

Marmoraria

60.000

50,0%

Beneficiamento

32.000

26,7%

Lavra

18.000

15,0%

Ensino e Serviços

3.000

2,5%

Exportadoras

2.000

1,7%

Indústrias de Máquinas, Equipamentos e Insumos

2.000

1,7%

Depósitos de Chapas

1.000

0,8%

Total

120.000

100%

FONTE: Chiodi Filho (2009), com atualizações.

 

            O parque brasileiro de beneficiamento tem capacidade instalada, de serragem e polimento de chapas, para 70 milhões m2/ano, a partir de rochas extraídas em blocos e caracterizadas por gerarem a maior parte dos denominados produtos especiais (acabados e semiacabados). Esta capacidade é acrescida de mais 50 milhões m2/ano em produtos simples (acabados), obtidos principalmente a partir de rochas portadoras de planos naturais de desplacamento (ardósias, quartzitos e gnaisses foliados, calcários e basaltos plaqueados, etc.).

            A cadeia produtiva do setor de rochas envolve basicamente a extração de matérias-primas em pedreiras, seu desdobramento por serragem em produtos semiacabados e o recorte e preparação de produtos finais (Figura 2). Além de mineradores, serradores e marmoristas, participam dessa cadeia produtiva, fabricantes de máquinas, equipamentos e insumos diversos utilizados pelos elos centrais, bem como fabricantes de produtos para limpeza e conservação após aplicação e uso dos revestimentos.

As serrarias de blocos e polimento de chapas, junto com as marmorarias, shoppings da construção e depósitos de chapas, são os principais integrantes da estrutura de oferta (produção), discriminando-se as construtoras e os consumidores individuais como os principais integrantes da estrutura de demanda (consumo). As serrarias constituem atualmente os principais fornecedores das construtoras e suas obras maiores, enquanto as marmorarias permanecem como fornecedoras preferenciais dos pequenos consumidores (consumidores individuais). Pode-se da mesma forma observar que os denominados depósitos de chapas são os principais fornecedores dos materiais importados, apesar do crescimento das importações diretas efetuadas pelas grandes construtoras e pelas próprias empresas produtoras de chapas.

Fluxograma: Processo: Edifícios Públicos, Comerciais e ResidenciaisFluxograma: Processo: Grandes ConstrutorasA maior parte das atividades de lavra e beneficiamento primário concentra-se em arranjos produtivos locais, como os de mármores e granitos do Espírito Santo, de ardósias e quartzitos foliados de Minas Gerais, de gnaisses foliados do Rio de Janeiro, de basaltos plaqueados do Rio Grande do Sul, de travertinos da Bahia, de calcários plaqueados do Ceará, etc. Os estados da Região Sudeste do Brasil, com destaque para São Paulo, têm a maior concentração de marmorarias (cerca de 70% do total brasileiro), além da maior capacidade instalada para trabalhos de acabamento.

A estrutura de preços dos diversos produtos comerciais do setor de rochas é bastante diferenciada entre os mercados interno e externo. Os preços de produtos brasileiros para o mercado interno são quase sempre inferiores àqueles praticados para o mercado externo, em uma proporção de até 1:3. Este diferencial pode oscilar para menos nos mármores (1:1) e para mais nas ardósias (1:10).

 Os produtos semiacabados, a exemplo das chapas polidas, agregam de três a quatro vezes mais valor de comercialização que o dos blocos das matérias-primas que lhes deram origem. Os produtos acabados, como tampos de pias, mesas e balcões, dentre outros, agregam até dez vezes mais valor que o de suas matérias-primas.

 

Distribuição da Produção Brasileira

 

A partir de estudos realizados pelo Instituto Metas (2002), para o Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT, evidenciou-se a existência de 18 aglomerações produtivas relacionadas ao setor de rochas ornamentais e de revestimento no Brasil, envolvendo atividades de lavra em 10 estados e 80 municípios da Federação (Tabela 7). Mais amplamente, foram registrados 370 municípios com recolhimento da CFEM – Compensação Financeira pela Exploração Mineral, para extração de rochas ornamentais.

A região sudeste tem a maior concentração desses aglomerados, demonstrando a relação direta entre polos de produção e consumo regionais. Os estados da Região Nordeste constituem as próximas grandes fronteiras brasileiras para produção e beneficiamento de rochas ornamentais.

A produção brasileira de materiais rochosos naturais, para ornamentação e revestimento, foi estimada em 8,9 milhões t em 2010. Esta produção inclui granitos e similares, mármores, travertinos, ardósias, quartzitos maciços e foliados, basaltos e gabros, serpentinitos, pedra-sabão e pedra-talco, calcários, metaconglomerados polimíticos e oligomíticos, cherts, arenitos, xistos diversos, etc. Assume-se a existência de 1.400 frentes ativas de lavra, sempre a céu aberto e em maciço ou matacões, responsáveis por cerca de 1.000 variedades comerciais de rochas colocadas nos mercados interno e externo.

O perfil da produção brasileira, por tipo de rocha, é mostrado na Tabela 8, observando-se que os materiais comercialmente classificados como granitos correspondem a quase 50% do total produzido. A distribuição regional dessa produção é mostrada na Tabela 9, salientando-se que a Região Sudeste do Brasil responde por 65% do total. A distribuição da produção pelos estados é mostrada na Tabela 10, tendo-se o Espírito Santo e Minas Gerais como os dois principais polos de lavra do Brasil.


 

 

TABELA 7

PRINCIPAIS AGLOMERAÇÕES PRODUTIVAS DO SETOR DE ROCHAS NO BRASIL

Região

Aglomerações Identificadas

UF

Nº Munic.

Sudeste

Pedra Paduana

RJ

1

Ardósias Papagaio

MG

8

Mármores e Granitos Cachoeiro de Itapemirim

ES

8

Granitos Nova Venécia

ES

6

Quartzitos São Thomé

MG

6

Granitos Baixo Guandu

ES

4

Granitos Medina

MG

4

Granitos Candeias - Caldas

MG

16

Granitos Bragança Paulista

SP

4

Quartzitos e Pedra-Sabão Ouro Preto

MG

4

Quartzitos Alpinópolis

MG

2

Região Centro-Oeste

Quartzitos Pirenópolis

GO

2

Região Sul

Basaltos Nova Prata

RS

7

Ardósias Trombudo Central

SC

1

Região Nordeste

Travertinos Ourolândia

BA

2

Granitos Teixeira de Freitas

BA

2

Pedra Cariri

CE

2

Pedra Morisca

PI

1

Total

18 Aglomerações Produtivas de Rochas

10 UF

80 Munic.

FONTE: Instituto Metas (2002).

 



TABELA 8

PERFIL DA PRODUÇÃO BRASILEIRA POR TIPO DE ROCHA – 2010

Tipo de Rocha

Produção

(Milhão t)

Participação

Percentual

Granito e Similares

4,4

49,4

Mármore e Travertino

1,5

16,9

Ardósia

0,7

7,9

Quartzito Foliado

0,6

6,7

Quartzito Maciço

0,4

4,5

Pedra Miracema

0,2

2,2

Outros (Basalto, Pedra Cariri, Pedra-Sabão, Pedra Morisca, etc.)

1,1

12,4

Total estimado

8,9

100,0

FONTE: Chiodi Filho (2009), com atualizações.

 

 


TABELA 9

DISTRIBUIÇÃO REGIONAL DA PRODUÇÃO BRUTA DE ROCHAS ORNAMENTAIS NO BRASIL - 2010

Região

Produção

(milhão t)

Participação Percentual

Sudeste

5,8

65,2

Nordeste

2,2

24,7

Sul

0,36

4,0

Centro-Oeste

0,36

4,0

Norte

0,18

2,0

Total estimado

8,9

100,0

FONTE: Chiodi Filho (2009), com atualizações.

 


TABELA 10

DISTRIBUIÇÃO ESTADUAL DA PRODUÇÃO DE ROCHAS ORNAMENTAIS NO BRASIL – 2010

Região

Estado

Produção

(1.000 t)

Tipo de Rocha

Sudeste

Espírito Santo

3.500

Granito e mármore

Minas Gerais

2.000

Granito, ardósia, quartzito foliado, pedra-sabão, pedra-talco, serpentinito, mármore e basalto

Rio de Janeiro

200

Granito, mármore e pedra Paduana

São Paulo

100

Granito, quartzito foliado

Sul

Paraná

130

Granito e mármore

Rio Grande do Sul

100

Granito, basalto e quartzio

Santa Catarina

130

Granito, ardósia e mármore

Centro-Oeste

Goiás

280

Granito, quartzito foliado, serpentinito

Mato Grosso

40

Granito

Mato Grosso do Sul

40

Granito e mármore

Nordeste

Bahia

700

Granito, mármore, travertino, arenito e quartzito

Ceará

570

Granito e pedra Cariri

Paraíba

430

Granito e conglomerado

Pernambuco

130

Granito e quartzito

Alagoas

150

Granito

Rio Grande Norte

120

Mármore e granito

Piauí

100

Pedra Morisca e ardósia

Norte

Rondônia

70

Granito

Roraima

20

Granito

Pará

30

Granito

 

Tocantins

30

Granito, chert (quartzito), serpentinito

Total Brasil

8.900

 

FONTE: Chiodi Filho (2009), com atualizações.

 

Histórico Recente das Exportações e Importações Brasileiras de Rochas

 

A partir da década de 1990, o Brasil experimentou um notável adensamento de atividades em todos os segmentos da cadeia produtiva do setor de rochas ornamentais e de revestimento[3]. Os principais avanços foram decorrentes do aumento das exportações, que evidenciaram uma forte evolução qualitativa e quantitativa.

Qualitativamente, foi modificado o perfil das exportações, com o incremento da venda de rochas processadas semiacabadas, principalmente chapas polidas de granito, bem como produtos acabados de ardósias e quartzitos foliados. Quantitativamente, essas exportações evoluíram de 900 mil t, em 1997, para 2,5 milhões t em 2007, alavancadas pelas vendas de blocos para a China e de chapas polidas para os EUA.

No ano de 2006, o Brasil chegou assim a colocar-se como o 4º maior produtor e exportador mundial de rochas ornamentais e de revestimento, superando vários players europeus tradicionais e notabilizando-se pela excepcional geodiversidade de suas matérias-primas. O crescimento brasileiro foi simpático a uma expressiva rearticulação mundial do setor, marcada pelo deslocamento de atividades de lavra e beneficiamento para países extraeuropeus, como China, Índia, Turquia, Irã e o próprio Brasil (Figura 3).

A participação da produção voltada para o mercado externo, no total da produção brasileira de rochas, atingiu o pico de 43,4% justamente no ano de 2006, recuando, desde então, até 29,5% em 2009 e novamente evoluindo para 33,7% em 2010 (Tabela 11).

Com a instalação da crise do mercado imobiliário dos EUA em 2007, e posteriormente já em 2009, com a recessão da economia mundial, recuaram tanto a produção quanto, sobretudo, as exportações brasileiras de rochas ornamentais. O volume físico dessas exportações recuou de 2,5 milhões t em 2007 para 1,99 milhões t em 2008 e 1,67 milhões em 2009, enquanto o faturamento caiu respectivamente de US$ 1,1 bilhão para US$ 955 milhões e US$ 724 milhões.

As importações brasileiras de rochas ornamentais evidenciaram dois picos de elevação ao longo dos últimos 15 anos. O primeiro ocorreu em 1998, com 73,5 mil t importadas, e o segundo em 2008, com 91,2 mil t: ambos coincidiram com períodos de aquecimento da economia e queda da cotação do US dólar.

Apesar de ainda estimulada pela valorização do real e pelo aquecimento do mercado interno da construção civil, a taxa de variação das importações foi negativa em 2009, refletindo o impacto da crise econômica internacional.

 

 



TABELA 11

EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO BRASILEIRA DE ROCHAS VOLTADA

PARA OS MERCADOS INTERNO E EXTERNO – 2000-2010

Período

Produção (t)

Mercado Externo

Produção (t)

Mercado Interno

Produção Total (t)

2000

1.288.993,0

3.939.607,0

5.228.600,0

24,6%

75,4%

100%

2001

1.319.261,8

3. 824.104,6

5.153.366,4

25,6%

74,4%

100%

2002

1.567.987,4

4.031.967,6

5.559.955,0

28,0%

72,0 %

100 %

2003

1.947.539,6

4.138.521,7

6.086.061,3

32,0%

68,0%

100 %

2004

2.324.783,4

4.132.948,3

6.457.731,7

36,0%

64,0%

100%

2005

2.719.996,6 (+17%)

4.174.277,8 (+1%)

6.894.274,4 (+6,8%)

39,5%

60,5%

100%

 



TABELA 11

EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO BRASILEIRA DE ROCHAS VOLTADA

PARA OS MERCADOS INTERNO E EXTERNO – 2000-2010

Período

Produção (t)

Mercado Externo

Produção (t)

Mercado Interno

Produção Total (t)

2006

3.263.995,9 (+20%)

4.257.763,4 (+2%)

7.521.759,3 (+9,1%)

43,4%

56,6%

100%

2007

3.373.422,2 (+3%)

4.598.384,5 (+8%)

7.971.806,7 (+6,0%)

42,3%

57,7%

100%

2008

2.700.000 (-20%)

5.100.000 (+11%)

7.800.000 (-2,2%)

34,6%

65,4%

100%

2009

2.240.000 (-17%)

5.360.000 (+5%)

7.600.000 (-2,6%)

29,5%

70,5%

100%

2010

3.000.000 (+34%)

5.900.000 (+10%)

8.900.000 (+17,1%)

33,7%

66,3%

100%

 

A maior parte das importações de materiais rochosos naturais é referente a chapas polidas de mármores, travertinos e calcários provenientes principalmente da Turquia, Espanha, Itália e Grécia. Tem-se observado um crescimento também bastante expressivo de chapas aglomeradas, neste caso importadas sobretudo da China.

 



[1] NCM – Nomenclatura Comum do Mercosul é um sistema harmonizado, de codificação e classificação de mercadorias para comércio internacional, aplicado pelos países desse bloco econômico.

[2] Sob qualquer critério de classificação, são muito raras, no setor de rochas, as empresas de médio porte e inexistentes as de grande porte.

[3] Neste texto designa-se como rocha ornamental e de revestimento apenas os materiais rochosos naturais, excluindo-se os produtos aglomerados / industrializados a partir de ligantes resinóides.