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Tipologia das rochas ornamentais e de revestimento



Do ponto de vista comercial, as rochas ornamentais e de revestimento são basicamente subdivididas em granitos e mármores. Como granitos, enquadram-se, genericamente, as rochas silicáticas, enquanto os mármores englobam, lato sensu, as rochas carbonáticas. Alguns outros tipos litológicos, incluídos no campo das rochas ornamentais, são os quartzitos, serpentinitos, travertinos e ardósias, também muito importantes setorialmente.

Para a distinção entre um granito (rocha silicática) e um mármore (rocha carbonática), dois procedimentos simples são recomendados: os granitos não são riscados por canivetes e chaves; os mármores, inclusive travertinos, são riscados por canivetes/ chaves e reagem ao ataque de ácido clorídrico a 10% em volume, efervescendo tanto mais intensamente quanto maior o caráter calcítico (na falta de ácido clorídrico, pode-se pingar limão). Serpentinitos e ardósias não efervescem ou efervescem muito discretamente, e podem ser riscados por canivetes. Os quartzitos, muitas vezes assemelhados aos mármores, não são riscados por canivetes / chaves e nem efervescem com ácido clorídrico ou limão.


1 – Classificação das Rochas

O estudo das rochas, e de sua formação na crosta terrestre, é um dos principais campos de abordagem das ciências geológicas. Desde os seus primórdios, a civilização dependeu das rochas para a sua sobrevivência e desenvolvimento. As primeiras ferramentas, de pedra lascada ou polida, eram manufaturadas sobretudo a partir de rochas de granulação muito fina ou de textura vítrea, como a obsidiana (vidro vulcânico).

Da mesma forma, o homem utilizou materiais rochosos para construção de moradias, fortificações, monumentos e diversas outras finalidades, por exemplo pedras de moinho, pela elevada resistência mecânica e estrutural de algumas rochas. A importância das rochas, para a sociedade, cresceu simultaneamente ao seu desenvolvimento, de tal forma que enormes volumes são atualmente extraídos como matéria-prima para construção civil, revestimento e paisagismo.

As rochas carbonáticas particularmente, como material de edificação, têm também importância que remonta a tempos pré-históricos. Sua utilização em monumentos e edifícios das civilizações gregas e romanas, passando pelas pirâmides egípcias, têm diversos remanescentes que são por todos bem conhecidos e admirados.

O concreto armado desempenha a função estrutural nas edificações modernas. O uso de materiais rochosos dimensionados, principalmente em placas, não foi contudo desestimulado, pois cresceu enormemente sua procura para revestimentos.

 

• Bases de Classificação

As rochas são as principais unidades formadoras da crosta terrestre, constituindo materiais consolidados resultantes da união natural de minerais. O melhor critério de classificação das rochas é o genético, no qual elas são agrupadas de acordo com o seu modo de formação na natureza. Os três grandes grupos de enquadramento são o das rochas ígneas ou magmáticas, das rochas sedimentares e das rochas metamórficas.


• Rochas Ígneas

As rochas ígneas resultam do resfriamento e cristalização de material fundido, chamado magma. Quando o resfriamento ocorre no interior da crosta, a rocha resultante é do tipo ígnea intrusiva ou plutônica. Se o magma aflora à superfície, ainda em sua forma fundida (líquida ou pastosa), a rocha resultante é do tipo ígnea extrusiva, também chamada de vulcânica.

O termo “ígneo” tem sua raiz no latim “ignis”, referindo-se àquilo que tem origem no fogo. Nas bases comentadas, rochas ígneas são portanto aquelas cuja formação ocorreu a altas temperaturas, a partir de matéria mineral fundida, tanto em profundidade na crosta, quanto até extravasadas na superfície através dos vulcões. Os granitos são as rochas ígneas intrusivas mais abundantes na crosta terrestre, enquanto os basaltos são as variedades mais comuns entre as rochas vulcânicas.

 

• Rochas Sedimentares

As rochas sedimentares são formadas pela deposição de partículas e/ou compostos químicos, neste caso dissolvidos em meio aquoso, formando camadas sobre a superfície terrestre. A deposição física de partículas (clastos) pré-existentes, transportados por gelo, água ou vento, forma as rochas sedimentares clásticas ou terrígenas, tendo-se nos arenitos um bom exemplo deste tipo genético. A precipitação de compostos químicos, principalmente carbonáticos, dissolvidos nas águas de rios, mares e lagos, caracteriza a formação das rochas sedimentares químicas. Rochas sedimentares formadas pela deposição de partículas / fragmentos de origem orgânica, como as carapaças e conchas de moluscos, são chamadas de biodetríticas.

Destaca-se que boa parte dos mármores é resultante de metamorfismo sobre rochas carbonáticas de origem biodetrítica. Destaca-se ainda que os travertinos constituem um bom exemplo de rochas sedimentares, de origem química, formadas por precipitação de carbonato de cálcio em ambientes continentais de água doce (rios, lagos e cavernas).

 

• Rochas Metamórficas

As rochas metamórficas resultam da transformação de uma rocha pré-existente, que pode ser ígnea, sedimentar ou já metamórfica. O processo geológico de metamorfismo ocorre por aumento da pressão e/ou temperatura incidentes sobre essas rochas pré-existentes, sem que o ponto de fusão dos seus minerais seja atingido. Os mármores, por exemplo, são rochas metamórficas, caracterizadas pela recristalização dos constituintes mineralógicos, resultantes da transformação de rochas sedimentares carbonáticas, tanto de origem química quanto biodetrítica. Os gnaisses são, por sua vez, os representantes metamórficos de rochas graníticas ou granitóides. No setor de rochas ornamentais, o termo “granito” é no entanto utilizado para um amplo conjunto de rochas ígneas e metamórficas, que têm em comum a composição silicática (rochas formadas por quantidades variáveis de quartzo, feldspatos, micas e minerais ferro-magnesianos).

 

2 – Rochas Silicáticas – Granitos

Para o setor de rochas ornamentais e de revestimento, o termo granito designa um amplo conjunto de rochas silicáticas, abrangendo monzonitos, granodioritos, charnockitos, sienitos, dioritos, diabásios / basaltos e os próprios granitos.

A composição mineralógica dos “granitos” é assim definida por associações muito variáveis de quartzo, feldspato, micas (biotita e muscovita), anfibólios (sobretudo hornblenda), piroxênios (aegirina, augita e hiperstênio) e olivina. Alguns desses constituintes podem estar ausentes em determinadas associações mineralógicas, anotando-se diversos outros minerais acessórios em proporções bem mais reduzidas. Quartzo, feldspatos, micas e anfibólios são os minerais dominantes nas rochas graníticas e granitóides.

As texturas dos “granitos” podem ser equigranulares, quando os minerais constituintes têm dimensões semelhantes entre si, ou inequigranulares, quando algum dos minerais, normalmente o feldspato, formam grandes cristais destacados na matriz. Os cristais maiores, de dimensão centimétrica, são denominados como “amêndoas” pelos profissionais do setor de rochas, definindo o que geologicamente se caracteriza como textura “porfiróide”. Se os cristais de quartzo, feldspato e mica (muscovita e/ou biotita) tiverem dimensões centimétricas a decimétricas, portanto muito grosseiros, a textura será pegmatóide ou pegmatítica.

Em termos de textura / estrutura, os denominados gnaisses e migmatitos são rochas granitóides notavelmente orientadas (anisótropas), por vezes bandadas e com feições dobradas mais ou menos difusas. Algumas vezes as estruturas orientadas não constituem feição genética primária dos granitos, estando associadas a processos intempéricos de percolação de óxidos e hidróxidos de ferro, nas zonas superiores dos maciços rochosos. Destaca-se que, atualmente, esses granitos oxidados, também chamados “infiltrados”, além dos granitos pegmatóides, são variedades consideradas exóticas de grande aceitação e valorização comercial.

 

3 – Rochas Carbonáticas – Mármores e Calcários

As principais rochas carbonáticas abrangem calcários e dolomitos, sendo os mármores os seus correspondentes metamórficos. Os calcários são rochas sedimentares compostas principalmente de calcita (CaCO3), enquanto dolomitos são rochas também sedimentares formadas sobretudo por dolomita (CaCO3.MgCO3).

Alguns outros minerais carbonáticos, notadamente a siderita (FeCO3), ankerita (Ca,MgFe(CO3)4) e a magnesita MgCO3, estão freqüentemente associados com calcários e dolomitos, mas geralmente em pequenas proporções. Os mármores são caracterizados pela presença de minerais carbonáticos com graus variados de recristalização metamórfica.

Argilo-minerais (caulinita, illita, clorita, smectita, etc.) e seus produtos metamórficos (sericita, muscovita, flogopita, biotita, tremolita, actinolita, diopsídio, etc.), constituem impurezas comuns tanto disseminadas quanto laminadas nas rochas carbonáticas.

Quartzo e sulfetos são acessórios freqüentes, como cristais isolados ou em disseminações na matriz. Matéria orgânica pode estar também finamente disseminada, conferindo cores marrons escuras e negras às rochas portadoras.

A maior parte das rochas carbonáticas têm origem biológica ou mais propriamente biodetrítica, formando-se em ambientes marinhos pela deposição de conchas e esqueletos de outros organismos (corais, briozoários, etc.). Essas conchas e esqueletos são preservados como fósseis mais e menos fragmentados, perfeitamente reconhecíveis nas rochas pouco ou não metamorfizadas.

Processos deposicionais conduzidos por precipitação química e bioquímica direta de carbonatos em ambientes de água doce, determinam a formação de rochas não fossilíferas e bastante heterogêneas do tipo travertino e marga.

Rochas carbonáticas representam assim materiais sedimentares e metassedimentares, constituídos por 50% ou mais dos minerais calcita e dolomita. Calcários, epicalcários e mármores calcíticos contêm calcita predominante, enquanto dolomitos, metadolomitos e mármores dolomíticos são rochas similares com predominância de dolomita. Impurezas comuns incluem argilas, quartzo, micas, anfibólios, matéria orgânica/grafitosa e sulfetos, caracterizando-se uma ampla variedade de cores, texturas, desenhos, cristalinidade e conteúdo fóssil.

No setor de rochas ornamentais e de revestimento, o termo mármore é utilizado para designar todas as rochas carbonáticas, metamórficas ou não, capazes de receber polimento e lustro. O crescimento recente da participação relativa dos granitos foi, pelo menos em parte, determinado por sua maior durabilidade e resistência frente aos mármores, além dos padrões estéticos não tradicionais e possibilidades de paginação em pisos e fachadas.

 

4 – Rochas Silicosas – Quartzitos

Quartzitos podem ser definidos como rochas metamórficas com textura sacaróide, derivadas de sedimentos arenosos, formadas por grãos de quartzo recristalizados e envolvidos ou não por cimento silicoso. Tanto quanto nos mármores, a recristalização mineralógica ocorre por efeito de pressão e temperatura atuantes sobre os sedimentos arenosos originais, tornando os quartzitos normalmente mais coesos e menos friáveis que os arenitos.

Os minerais acessórios mais comuns são as micas (filossilicatos), zircão, magnetita/ ilmenita e hidróxidos de ferro e de manganês. As feições estéticas dos quartzitos, sobretudo o padrão cromático, são determinadas pelos minerais acessórios.

Quartzitos com pequena participação de filossilicatos (normalmente mica branca), não desenvolvem foliação metamórfica e planos preferenciais de partição. Estes quartzitos são portanto caracterizados como rochas maciças de textura sacaróide granoblástica, extraídos como blocos nas pedreiras e posteriormente serrados em chapas. Por exemplo, os quartzitos lavrados na Bahia, enquadram-se dentre as variedades maciças existentes no Brasil.

Quando é maior a presença de micas, os quartzitos desenvolvem textura sacaróide granolepidoblástica, com planos preferenciais de partição/delaminação aproveitados para extração direta de placas no maciço rochoso lavrado.

O maior grau de absorção d’água (0,20-0,80%) proporcionado pela textura sacaróide, evita o empoçamento de água e facilita a drenagem de pisos externos, sobretudo da borda de piscinas. Além disso, a inexistência de minerais reativos torna os quartzitos inertes a agentes de alteração, como produtos de limpeza e soluções ácidas em geral.

Não existe disciplinamento para as designações comerciais aplicadas aos quartzitos, com tendência de se chamar como São Tomé, materiais de diversas procedências. As variedades comercializadas incluem rochas de coloração esbranquiçada, amarelada (champagne), esverdeada, rosada e acinzentada, apresentadas sobretudo como lajotas não calibradas, cacos (cavacos) e filetes.

 

5 – Rochas Síltico-Argilosas – Ardósias

Ardósias são rochas metassedimentares, de baixo grau metamórfico, formadas a partir de seqüências argilosas e síltico-argilosas. A definição científica de ardósia baseia-se, entretanto, na presença de planos preferenciais de partição paralelos, que proporcionam a “clivagem ardosiana”.

Os planos de clivagem são formados pela isorientação de minerais placóides e prismáticos, compondo uma estrutura xistosa comum a boa parte das rochas metamórficas. A distinção das ardósias, entre as demais rochas com planos preferenciais de clivagem, é determinada pela sua granulação muito fina e pela maior capacidade de partição em superfícies paralelas.

Seus principais constituintes mineralógicos incluem mica branca fina (sericita), quartzo, clorita e grafita. Quantidades variáveis, em geral acessórias, de carbonato, turmalina, titanita, rutilo, feldspato, óxidos de ferro e pirita, podem ocorrer.

Sendo essencialmente constituídas por minerais estáveis como o quartzo e filossilicatos (mica e clorita), as ardósias são resistentes à meteorização e por isso altamente duráveis. Algumas impurezas, sobretudo as carbonáticas, contribuem para a diminuição de durabilidade, pois são atacadas por soluções ácidas e corroem as ardósias.

Em Minas Gerais, as áreas de extração e beneficiamento de ardósias abrangem uma região de 7.000 km2, que responde por 90% da produção brasileira. As variedades extraídas são comercialmente tipificadas pela cor, anotando-se ardósias cinzas, verdes, roxas (vinho), preta e grafite.

As variedades cinzas, pretas e grafite podem dar origem à ardósia “ferrugem”, como resultado da oxidação de finas lamelas de pirita com estrutura fibrorradial, interestratificadas. Onde são mais espaçados os planos de desplacamento definidos pela clivagem ardosiana, formam-se as ardósias do tipo “matacão”.

O principal produto comercial das ardósias de Minas Gerais, ao qual se remete pelo menos 70% dos 15 milhões de m2 de chapas elaboradas anualmente, são as lajotas para revestimento de pisos. O restante da produção é destinado a divisórias, tampos de mesa, pia e bilhares, mobiliário, telhas, lousas (quadros-negros), artesanato, etc.

 

6 – Rochas Ultramáficas – Serpentinitos, Pedra Sabão e Pedra Talco

Serpentinito, pedra sabão e pedra talco são designações técnicas e comerciais, aplicadas para variedades metamórficas de rochas ultramáficas. A constituição mineralógica dessas variedades é basicamente definida por serpentina, tremolita/ actinolita, clorita, talco e carbonato, em diversas associações. No setor de rochas ornamentais e de revestimento, os serpentinitos, são comumente tratados como mármores (por exemplo, Verde Alpi e Verde Guatemala).

Os serpentinitos têm cor verde-escura, mostram maior resistência à abrasão e aceitam polimento, sendo assim utilizados para revestimentos. O maior problema da lavra desses serpentinitos, refere-se ao elevado grau de fraturamento dos maciços rochosos, o que traduz taxas de recuperação muito reduzidas e apenas para blocos de pequena dimensão.

A pedra sabão é um pouco mais mole que os serpentinitos, tem coloração cinza-escura e destina-se sobretudo à elaboração de fornos domésticos, lareiras, pequenos revestimentos, panelas, caçarolas, chapas e grelhas para alimentos, além de outros usos decorativos. Sua principal característica, é que aceita altas temperaturas (até 1500oC) e retém calor, permanecendo aquecida por longos períodos.

A denominada pedra talco é riscada pela unha e untuosa ao tato, exibindo aspecto mosqueado e cores marrons a esverdeadas. Sua principal utilização são os objetos decorativos de artesanato, destacando-se arte estatuária. Fragmentos de pedra talco podem ser utilizados em trabalhos manuais, visando desenvolvimento da coordenação motora fina de crianças na pré-escola.


Cid Chiodi Filho - Geólogo

 

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